Criada em 1809

A Igreja Nossa Senhora da Lapa

Construída em 1763 e sagrada em 1806, a Igreja Nossa Senhora da Lapa, situada no Distrito de Ribeirão da Ilha, passou por muitas intervenções até se tornar realmente apropriada para celebrações. Em 1840, por exemplo, foram solicitados recursos financeiros ao então presidente da Província “para atender a reparos urgentes no telhado e na sacristia da Igreja, quase em ruínas”.

No entanto, durante a visita de D. Pedro II, em 1845, o imperador doou à Igreja a quantia de 400 mil réis, o que contribuiu na realização de novas obras e reparos à Paróquia. Dois anos mais tarde, o mesmo dinheiro ainda foi utilizado para pinturas e reformas.

Até o século atual, novas e desastrosas intervenções foram feitas, embora, felizmente, a Igreja ainda conserve algumas de suas características originais.

Seguindo um partido arquitetônico colonial, a fachada principal da Igreja Nossa Senhora da Lapa apresenta frontão triangular. Atrás, erguem-se duas torres, uma cega e outra sineira. Esta possui dois sinos, balaustradas no contorno e pináculos no centro da cobertura, de forma piramidal.

Sobre a portada, três janelas, todas com vergas arqueadas e requadros em madeira maciça, além de decoração em estuque, na qual a sobreverga afeta forma triangular. Todas as portas são almofadadas e as janelas apresentam, por fora, guilhotina em vidro de caixilho pequeno.

No vértice superior do frontão, encimado por cruz de ferro, decoração em volutas.

Aos fundos, simetricamente, à direita e à esquerda do corpo principal, as duas sacristias, cujas portas de entrada são encimadas por vergas arqueadas. Essas construções são arrematadas por platibanda. As fachadas laterais apresentam três janelas altas, retangulares, com vidraças e porta, com requadros em madeira, encimadas por vergas e sobrevergas em arco abatido.Internamente, a clássica divisão nave e capela-mor, separadas pelo arco cruzeiro e com paredes de 80 cm de espessura.

As três portas da nave (a principal e duas laterais) apresentam dobradiças em cachimbo, possivelmente da época da construção. A porta principal do templo é almofadada e possui uma interessante aldraba original.

No teto da nave, pintura representando, ao centro, a Sagrada Família, a visita dos Reis Magos e o Cristo crucificado. Na parede sobre o arco cruzeiro, a representação de Cristo e São João Batista. Na parede do coro, singela pintura representa Santa Cecília.

A capela-mor, com um belo altar em branco dourado, colunas salomônicas, volutas e concheados de inspiração barroca, guarda belos exemplos de arte sacra dos séculos XVIII e XIX. Ainda na capela-mor, duas janelas em cada lateral, abrindo-se de um lado para a sacristia e de outro para a residência do vigário. No teto pintado, um medalhão com anjos. Os retábulos do cruzeiro são do mesmo estilo do altar-mor, possuindo, na sua parte mais alta, delicados baldaquinos de madeira.

A Igreja e seu entorno estão incluídos em Área de Preservação Cultural tipo UM, ou seja, área de interesse histórico, e estão também protegidos pela Lei Municipal nº 2193, de 1985.